quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Etsy: Consumindo com elegância


O charme das bonecas de pano
Já faz tempo que decidi sobre aquilo que considero de bom gosto e elegante, ao menos no que diz respeito ao que vestimos, possuímos e ostentamos. Nunca gostei de excessos, nem de barato que imita o caro, muito menos da última moda “que está na cara que não fica bem em você”.  Tudo isso, para mim, sempre foi sinônimo de cafona. Mas eu cresci e aprendi a respeitar. Hoje, elegante são aqueles confortáveis com a própria pele.
Entretanto sempre admirei a originalidade no ser e no criar. Adoro descobrir um designer, artesão ou artista que cria algo diferente em uma loja descolada ou feirinha. Admiro a galerinha “hippie”, que cria verdadeiras jóias. O trabalho de ceramistas. Novos estilistas e suas peças originais.  Enfim, curto o feito à mão, o único e o criativo. Infelizmente, cada vez mais o nosso comércio está sendo invadidas por imitações baratas e muito plástico. Aquilo que chega as nossas mãos muitas vezes são fruto do trabalho semi escravo e da degradação ambiental. E o verdadeiro criador nesse contexto vai sendo desvalorizado. Parece até que a única coisa que importa para o consumidor é o preço. Mesmo que o barato saia caro, já que muito do que se encontra nessa linha não dura quase nada e vira lixo rapidinho.
É por isso que eu considero o site de compras Etsy.com uma idéia incrível. Para quem não conhece, o Etsy é um mercado livre para artesões, designers e artistas do mundo inteiro. Imagina quantas coisas bacanas é possível encontrar nessa grande feira online. Mas acima de tudo o que me empolga é a possibilidade de uma nova consciência em se tratando de consumo. Por isso, resolvi traduzir aqui o editorial “manifesto” do Etsy. E que sirva de inspiração para todos os criadores e consumidores.
“Somos os antropologistas do comércio. Somos curiosos e queremos saber sobre as pessoas, o que elas fazem, trocam e consomem. Acreditamos que olhando para as coisas que importam nas nossas vidas, somos capazes de entender o que nos move como seres humanos.
No mundo todo está surgindo a necessidade de se saber a história por trás daquilo que consumimos – quem fez, como, que caminho percorreu até nos? Nós estamos aqui para contar essa história, para apresentar a vocês a história de artesões, artistas, colecionadores e seus produtos.
O famoso designer de tecidos, o inglês William Morris, uma vez disse que ‘você não deve ter nada na sua casa que não seja útil ou acredite ser realmente belo’. E assim como vocês, nós estamos cansados da artificialidade e feiura da maioria dos produtos por aí. Nosso objetivo é inspirar com o criativo, durável, vanguardista, confortável, provocativo e adorável.
A nossa missão é relatar sobre aquilo que importa para os membros da Etsy. Incentivar os pequenos produtores, negócios e artistas. A boa alimentação. E a sustentabilidade. Juntos nós vamos nós vamos definir o que significa viver a vida ‘feita à mão’ e como as ‘coisas’ se relacionam com o nosso bem estar comum.
O Etsy é um belo experimento que visa trazer de volta a comunidade e a cultura para aquilo que consumimos. Nós mergulhamos nas profundezas do mercado e retornamos com aquilo que está emergindo. Nós sabemos que ‘mercados são conversas’ e nos queremos que vocês conversem com a gente.”
Equipe Etsy
Algumas idéias do que você vai encontrar por lá, tudo feito à mão...

Lindas blusas pintadas à mão
Adoráveis sapatinhos de tecido
Sabonete artesanal de leite de cabra, aveia e mel

Belos pingentes
Porta retratos lindos como esse
Esse jogo de memória inesquecível

Canecas de cerâmica pra lá de originais

Sapatinhos de crochê que são um sonho
E que tal o seu baixinho com uma blusa de dino como essa?

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

FVM: Garrafas decoradas com linha

Adooooro vidro! Acredito que ter um vaso de cristal não faz mal a ninguém, de preferência sempre cheio de flores. Mas todas aquelas garrafas ordinárias de vidro que jogamos no lixo diariamente também têm sua beleza e podem virar lindas garrafas decorativas. Eu acredito piamente que não é necessário ter muito dinheiro para deixar a sua casa charmosa, basta um pouco de criatividade.

Para esse FVM você só vai precisar: garrafas variadas como de cerveja, vinho, azeite e pimenta. Linhas de crochê coloridas. Qualquer tipo de cola, que serve para manter a linha no lugar, basta um pingo por giro.  E mãos a obra. Se você se aventurar com esse post, adoraria ver o resultado.


Dica1: A parte mais chata desse FVM e tirar os rótulos das garrafas. A melhor técnica é deixa-las de molho em um balde por pelo menos 2 horas e depois raspar com uma faca.

Dica2: Fica lindo como centro das mesas de uma festinha descolada. 


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Carrinho: o melhor exercício pós gravidez

Finalmente vou escrever sobre um assunto pelo qual todas nós somos obcecadas, a nossa forma física. E de quebra lembrar que certas atitudes refletem no nosso bem estar social e consequentemente na nossa saúde. Seja você fofa, malhada, magra ou gorda, uma coisa é certa, você não quer saber de piorar as coisas para o seu lado. Entretanto, entre todas as mudanças corporais pelas quais uma mulher pode passar, a gravidez é provavelmente uma das mais intensas e dramáticas.

O envelhecimento também prega peças, mas ele chega devagarzinho, você tem tempo de se acostumar com uma ruga aqui, uma flacidez ali. A gravidez não. Em nove meses você vira um balão inflado a sua capacidade máxima e depois desinfla. Pegue uma bexiga nova e faça a experiência, ela nunca vai ser a mesma, dependendo da qualidade da borracha ela quase volta à forma original, mas quase. Com você vai ser assim também.

Durante todo o período da gravidez toda mulher se promete entrar em forma rapidinho, nem que tenha que se matricular pela primeira vez em uma academia. Doce ilusão, se você não fez isso até agora, não vai ser com um bebê em casa que essa façanha vai acontecer. O meu melhor conselho é: vá de carrinho para todos os lados.

Empurrando o carrinho

Eu sempre digo que se você tiver que investir em um único item bacana para o seu bebê, um carrinho de primeira está no topo da lista. Cadeira de amamentação, trocador, andador, cadeirinha bouncer, esterilizador de mamadeira, entre outros apetrechos, para mim são completamente desnecessários. Já um bom carrinho pode fazer maravilhas por você e para o seu bebê.

Primeiro você deve esquecer o seu carro na garagem. Vá ao supermercado, feira, banco, praia, casa da mãe ou da amiga sempre de carrinho e você vai ver os seus quilinhos sumirem gradualmente, numa boa, sem stress.  O mais legal é que uma nova consciência urbana vai despertar e o seu bebê vai adorar.

No Brasil, me parece que quem anda na rua deliberadamente - não no calçadão da praia nos finais de semana - é porque não tem carro, e se não tem carro, é pobre. O pior, esse comportamento se intesifica nas cidades do interior. Querida, acho que já está na hora da gente começar a deixar esses preconceitos de lado e se abrir para um novo estilo de vida, mais saudável para todo mundo. Por que a gente adora ir para Amsterdã, Paris, Barcelona, Nova York e ver tanta gente bonita passeando pelas ruas? É uma questão de bom senso.  

Vamos supor que o seu banco fique a quinze quarteirões da sua casa. Programada como toda boa mulher moderna, você tira o carro da garagem e demora uns 15 minutos para chegar até o banco: trânsito, farol, mão única. Demora mais uns 5 para achar um lugar para estacionar ou paga o estacionamento. Tira o bebê do carro, instala o bebê no carrinho ou carrega ele no colo. Faz o que tem que fazer e volta para o carro e para o trânsito. Você queria ter parado na padaria, mas achar lugar para estacionar e tirar o bebê do carro tudo de novo não ia ser uma boa idéia, então você conta com a boa vontade do maridão para trazer os frios e o pão para casa depois do trabalho. Se você for uma pessoa zen, o nível de estress pode ser pequeno, mas dependendo do calor e dos contratempos de percurso, essa simples rotina pode chegar a um nível de estress indesejável. Agora vamos colocar o carrinho e o corpinho para trabalhar.

Vista o seu bebê com aquela roupinha fofa que ninguém viu ainda. Coloque um sapato confortável e um belo óculos escuro. Encha uma garrafinha de água gelada, pegue a bolsa (nunca esqueça uma troca de roupinhas e fralda, os bebês adoram pregar peças na gente) e se jogue na calçada. Em menos de vinte minutos você já vai estar no banco e ter feito o necessário. No caminho de volta para a casa você vai poder parar na padaria, passar naquela boutique nova, reparar na arquitetura do seu bairro e sorrir para desconhecidos encantados com o seu bebezinho que de tão alerta e curioso na ida, caiu no sono na volta. Ao chegar em casa você vai estar se sentindo bem por ter batido pernas e satisfeita. E se for um dia de sorte o seu bebê vai dormir uns quinze minutos extras. Com esses quarenta minutos de caminhada você vai queimar cerca de 350 calorias (100 dirigindo o carro) e enrijecer os músculos. Vai deixar de emitir o indesejável monóxido de carbono na atmosfera, economizar gasolina e ampliar os sentidos do seu pimpolho.

É verdade, seria lindo se tudo fosse tão perfeito assim. Têm coisas que vão te indignar nesse passeio, eu sei bem. Os carros que parecem aceleram quando você esta prestes a atravessar a rua. A criança que vai jogar o pacote de biscoito no chão bem na sua frente. O trecho de calçada esburacada que vai te fazer pensar que deveria ter investido em um carrinho off-road. Ver aquela casa do começo do século vinte ser demolida para dar lugar a mais um estacionamento. E que delícia seria se a praça que fica no meio do caminho tivesse bancos decentes, a gangorra não estivesse quebrada e o balanço enferrujado. 

De uma maneira ou de outra, caminhar vai fazer você repensar alguns conceitos. E quem sabe, quando você tiver que pegar o carro para ir a um lugar bem longe, seja mais educada com os pedestres. Escreva uma cartinha para a prefeitura exigindo mais áreas de lazer e recreação para as crianças do bairro. E que tal sugerir também a implantação de mais lixeiras ou até mesmo uma campanha para educar as crianças e assim educar os pais a jogar o lixo no lixo, ou melhor ainda, a reciclar. Afinal, você paga impostos e não sabe o que eles estão fazendo com tanto dinheiro recolhido.

E quem sabe um dia tudo aquilo que a gente inveja e admira no primeiro mundo não faça parte do nosso mundo também. São os cidadãos que fazem uma cidade. E é verdade, você vai mudar: vai ficar mais magra, mais consciente, mais ativa, mais chic e mais feliz.

Nota: E a segurança?

Sobre esse assunto eu vou citar a minha irmã, que é assistente social e tem mestrado em planejamento urbano. Ela sempre diz que "quanto mais gente na rua, mais seguro". Quando nos excluímos do espaço público (ruas, praças, parques) por motivo de segurança e aí que a violência se prolifera. Quem pode, fica atrás dos muros (apartamento, condomínio, carro, shopping). E quem não pode, fica na rua. Sem pessoas com recursos para reivindicar melhorias do espaço público ele decai. Crias-se o medo, a exclusão, a divisão de classes. Enfim, a receita perfeita para a violência.   

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Consciente coletivo: episódio 6: energia

O que aconteceria se derrepente tudo pifasse? Nada de televisão, geladeira, celular e computador. Será que você sobreviveria? Seria capaz de se alimentar, funcionar? Somos tão dependentes das tecnologias de conveniência, que um mundo sem energia elétrica, seria literalmente o mundo das trevas. Afinal, comida vem do supermercado e relações pessoais do celular e do computador. No entanto, para mantermos nossos níveis atuais de consumo de energia muita coisa tem que ser revista na maneira como usamos esse precioso recurso. Um único planeta terra não é capaz de suprir a demanda crescente de 7 bilhões  de pessoas. Opte por recursos renováveis e evite o desperdício, só assim será possível mantermos um nível de vida digno nas próximas décadas. Olha que legal, nos EUA, já existe uma lavanderia onde as pessoas pedalam para mover as máquinas de lavar e secadoras, que são então movidas a energia humana. Em vez de ficar esperando a “laundry” de papo pro ar, a idéia incentiva o exercício físico e economiza energia. 2 em 1, lavanderia e academia em um só lugar.


Aproveita e assista os 5 primeiros episódios, as crianças adoram:

Episódio 5: residuos: http://mhcmc.blogspot.com/2011/12/consciente-coletivo-episodio-5-energia.html
Episódio 4: água: http://mhcmc.blogspot.com/2011/12/consciente-coletivo-episodio-4-agua.html
Episódio 3: ciclo do papel: http://mhcmc.blogspot.com/2011/12/consciente-coletivo-episodio-3-ciclo-do.html
Episódio 2: efeito estufa: http://mhcmc.blogspot.com/2011/12/consciente-coletivo-efeito-estufa.html
Episódio 1: consumo: http://mhcmc.blogspot.com/2011/12/consciente-coletivo-consumo-episodio-1.html

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Filhos: 1 é bom 2 é demais

Essa semana meu filho mais novo retornou à escola, e como muitas mães, tive que dar uma passadinha na sala da diretoria para tirar algumas dúvidas. Na sala de espera, acionei meu orelhão e fiquei quietinha escutando a conversa de outras duas mães que trocavam confidências:
Mãe 1: Você só tem ele?
Mãe 2: Sim, e você?
Mãe 1: Também, eu queria outro, mas meu marido diz que não, ele pensa mais no financeiro, sabe!?
Mãe 2: Ai é tudo em dobro, duas natações, dois judôs, duas aulas de inglês...
Mãe 1: A gente quer poder dar o melhor para os filhos... O seu faz natação? Aonde?
Enquanto a mãe 2 falava sobre a escola de natação e as proezas do filho na atividade, fui chamada para conversar com o diretor. Quando passei de volta na sala de espera me deu uma vontade de trazer o assunto à tona apesar das mães já estarem falando sobre numeração de camisetas ou algo parecido. Mas resolvi deixar de lado, deixar de ser enxerida, de me meter na vida dos outros, afinal eu tenho o meu blog e posso escrever o que penso e poupar qualquer constrangimento. Mas também pode ser que eu tenha deixado de fazer duas amizades, nunca vou saber. Entretanto, se elas fossem minhas melhores amigas é isso que diria a elas:
- O custo de um filho pode ser alto, mas um companheiro para a vida não tem preço...
- Não tem presente no mundo que deixaria os Natais de um filho mais legal...
- Mais filhos, mais trabalho com certeza, mas em muitas ocasiões mais sossego. Eles brincam entre si, como quando o seu filho quer que você jogue a quinta partida de “uno” ou “cara a cara” e você tem milhares de coisas para fazer. Eles se cuidam em ambientes estranhos, se cuidam até mesmo em casa...
- Os filhos crescem, as necessidades e as preocupações mudam, os problemas e conflitos aparecem e ter mais de um filho pode ser reconfortante...
- Um irmão ensina para o outro todas as mazelas do ser humano: raiva, preguiça, critica, gozação, competição, tristeza, angustia, mesquinhez, e não tem nada melhor do que aprender sobre a parte não tão legal da vida em casa, onde o amor no final do dia sempre vai prevalecer. Enfim, com um irmão criamos uma casquinha grossa, sem perder a doçura...
- E nenhuma escolinha de natação, inglês, balé ou judô vai ensinar ao seu primogênito aquilo que um irmãozinho ensinaria a custo zero: dividir, brigar, se defender, brincar, competir, cuidar, compreender, a ter caráter e a amar.
Se 1 filho é bom, 2 é bom demais!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Vamos tirar o planeta do sufoco

Iupiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!! Vocês não imaginam como eu estou feliz com a nova medida do Governo do Estado de São Paulo e da APAS (Associação Paulista de Supermercados) de abolir o uso de sacolas plásticas a partir de hoje, dia 25 de janeiro de 2012. Para mim essa é uma notícia que deve ser comemorada com grande estilo, acho que vou correr no supermercado, comprar uma “champagne” e sair com ela na mão.
Eu me lembro quando eu era adolescente e li em uma revista que na Nova Zelândia não eram distribuídas sacolas plásticas nos supermercados, você tinha que levar a sua própria. Achei a info muito legal e aquilo sempre ficou comigo. Na época, eu ainda não tinha a dimensão dos fatos, o tamanho do estrago ambiental decorrente do uso do plástico. Acho que nem sabia que era feito de petróleo. Só me lembro de achar a medida correta, puro instinto. Só anos mais tarde é que a ficha caiu completamente e eu deliberadamente passei a recusar sacolas plásticas ou qualquer embalagem ou utensílio desnecessário como canudinhos, talheres descartáveis, copos plásticos e afins.
Eu sei que já tem muita gente fazendo cara feia contra essa medida, é difícil fazer as pessoas saírem da zona de conforto que elas criam em torno de si, mudar os hábitos. Esses são alguns argumentos que eu escuto contra e é assim que eu os retrucaria:
- Eu uso as sacolinhas no lixinho da cozinha e do banheiro e agora eu vou ter que comprar...
Eu também uso uma única sacolinha no lixo da cozinha por dia e é nela que eu coloco o lixo para fora. Mas eu reciclo absolutamente tudo, tenho um lixão onde eu coloco latas, vidros, plásticos, papel e semanalmente eu levo o lixo separado para um centro de reciclagem. Eu também tenho um vaso grande de barro com terra no meu quintal que eu jogo sementes e cascas de frutas e verduras e uso a terra para fazer novas mudas e adubar minhas plantas. Quer dizer, no final do dia eu junto o lixo do banheiro, que fica sem saquinho, com o da cozinha e pronto. Os meus saquinhos vêm de destinos aleatórios, só sei que nunca fiquei sem. Ou é alguém que me traz alguma coisa e sempre vem em um saco, ou eu pego voando na rua (vocês já repararam na quantidade de sacolinhas voadoras por ai?), uma loja vizinha joga tanto saquinho de roupa no lixo que eu sempre pego para dar um segundo uso etc. Também uso o saco do arroz, já usei os do pacote de fraldas. O que eu quero dizer é que saquinho não vai faltar se você tiver a atitude correta. Dá trabalho sim. Mas é o tipo de atitude que também gera satisfação. Mesmo porque, quem estava habituado a pegar todos os saquinhos que te empurravam em uma compra de supermercado deve ter saco acumulado para uns 2 anos de lixinho e se não acumulou, fez errado e os jogou no lixo, e é exatamente esse tipo de desperdício que queremos evitar.  Se reinvente.
- Eu sempre esqueço minhas sacolas retornáveis em casa...
Então passe a não esquecer, poxa! Você esquece sua carteira, seu celular? Quando levar suas sacolas se tornar um hábito você não vai ser pega de surpresa. Eu deixo umas duas no carro e sempre tenho uma molinha na bolsa. E se por algum motivo não tenho nenhuma, uso uma caixa de papelão e se a compra é pouca saio com tudo na mão mesmo, sem vergonha nenhuma. Você precisa do saquinho mini que te entregam na farmácia? E o saquinho para colocar o saco do pão?
- O presidente da associação dos fabricantes de plásticos de São Paulo disse que a medida vai fazer com que mais de 30 mil pessoas percam o emprego...
Arranja outro. E fácil falar quando não é com você, certo?! Mas eu acredito que um mundo sustentável pode gerar milhares de empregos muito mais dignos. Plástico mata, a gente aos poucos, através da contaminação da água e do solo, mas a morte de animais por estrangulamento e sufocamento é constante, pode ter certeza que nesse minuto uma tartaruga marinha, um pingüim ou um pássaro está sendo vítima de um objeto plástico. Isso para não citar as guerras feitas em nome do petróleo, matéria-prima do plástico. Tem gente que também não quer que as guerras acabem porque elas geram milhares de empregos, go figure...
Cansei de argumentar, para mim essa notícia veio para o melhor. Jundiaí que já havia adotado a medida há um ano, deixou de colocar quase mil toneladas de sacolinhas plásticas no meio ambiente nesse período. Imaginem todas as cidades paulistas nessa onda... Espero que a moda se espalhe para o Brasil e para o mundo todo.
Mas eu também acho que só essa medida não vai resolver o problema, a dimensão dos estragos já são enormes (leia: MHCMC x Claudia e Fatos que devemos saber sobre o mundo hoje). Não adianta abolir as sacolinhas plásticas, se cada vez mais vem aumentando o uso indiscriminado dos pratinhos de isopor, dos copos plásticos, dos canudinhos. A redução tem que ser geral.

De qualquer maneira hoje é um dia especial, um dia para entrar para a história, o dia em que cada um de nos decidiu viver a vida de maneira mais simples e mais sustentável e para isso não é preciso mudar apenas os hábitos, mas é preciso mudar de coração.

Para mais informações: http://vamostiraroplanetadosufoco.org.br/home/
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Papinha caseira X Papinha Nestlé

Por volta dos 5 ou 6 meses o seu bebê vai estar pronto para começar a comer sólidos, ou melhor, papinha. E com isso uma nova dimensão da maternidade vai se abrir. Afinal, alimentar os filhotes vai ser aquilo que mais vai tomar o seu tempo, dinheiro e gerar preocupação pelo resto da vida. A questão é: vale à pena investir nas papinhas processadas, prontas e rápidas?

Não existe nada nesse mundo que me convença que uma banana amassada com água, farinha e preservativo (acido cítrico) em um pote que chega a ter um ano de validade, supere o valor nutricional de uma banana tirada do cacho. Banana que pode ser servida amassada com aveia, cozida com uma pitada de canela ou até mesmo entregue intacta às mãozinhas ávidas por ação, texturas e meleca.

O único argumento a favor das papinhas Nestlé – líder absoluta no mercado brasileiro e mundial, não tem porque não dar nome e sobrenome ao produto de que estamos falando – é a conveniência. Não se descasca nada, não se suja panela e não se esbarra na falta de criatividade culinária, é só pegar um dos potinhos denominados “strogonofinho com arroz”, “espaguetinho a bolonhesa”, eca, ou simplesmente “banana com aveia” ou “maracujá” e está tudo resolvido.

Não vou condenar quem recorre a essa conveniência em situações de emergência, mas até ai existem alternativas mais saudáveis. O problema é quando a emergência se torna algo corriqueiro, ai nenhum bebê merece.

Como diz o pediatra americano Dr. Greene (ver referência de livros interessantes): “O paladar e o metabolismo de uma criança, ao longo prazo, são influenciados por aquilo que ela coloca na boca na primeira infância, aliás, na barriga da mãe para ser mais preciso. As escolhas que você faz para o seu filho nessa fase vão ser as escolhas que ele vai fazer no futuro. Nesse momento crítico do desenvolvimento, não faz sentido substituir um alimento integral e nutritivo, por outro alterado, com altas concentrações de carboidrato. Para o metabolismo de um bebê não é diferente do que lhe dar uma colher cheia de açúcar.” Dr. Greene é um dos pediatras que encabeçam as campanhas contra a obesidade e diabetes infantil nos EUA. (http://www.drgreene.com/)

Mais algumas razões para deixar as papinhas Nestlé nas prateleiras dos supermercados e o que os comerciais não falam:

Bisphenol A (BPA): Esse componente encontrado em plásticos e que causa alterações endócrinas e câncer, também é usado no lacre das tampas dos potinhos de papinha infantil, incrível não?

Espessantes: As papinhas prontas são compostas em quase 50% por água e espessantes, que são farinhas ou outro carboidrato natural (carragena, goma guar, arábica, xantana e jataí) que serve para dar maior consistência e também servem como estabilizantes.  Apesar de teoricamente não fazer mal ao seu bebê – lembre-se das sabias palavras do Dr. Greene – o valor da papinha pronta é 50% inferior a mesma quantidade do mesmo alimento integral.

Ácido cítrico: O principal preservativo encontrado em papinhas parece inofensivo, já que e um dos principais componentes de um limão. No entanto, o acido cítrico também é usado na formulação de produtos desengordurastes como detergentes e outros diversos limpadores devido a sua ação abrasiva. Um estudo alemão recente associa o ácido cítrico a irritações estomacais e maior incidência de cáries em crianças e adolescentes já que seria um dos principais responsáveis pela corrosão do esmalte dos dentes.  O ácido cítrico é indiscriminadamente adicionado a todo tipo de balas, refrigerantes, sucos artificiais, molhos entre outros produtos alimentícios com alto apelo infantil. Quer dizer, não precisa introduzir um bebezinho a isso nas primeiras refeições de sua vida.

Diversidade: É só ler os rótulos das papinhas Nestlé para ver que todos os potinhos contêm pequenas variações da mesma coisa. Um bebê precisa de cores, texturas e nutrição verdadeira, só assim ele vai ser uma criança saudável.

Higiene: Já ouvi o argumento de que as papinhas processadas são mais higiênicas, hahaha, por quê? Feitas por grandes máquinas que são diariamente lavadas com produtos químicos que deixam resíduos (o caso do toddynho com soda cáustica). Onde uma maça podre com certeza pode escapar ao crivo de seleção. Ah, o amor é um ingrediente indispensável em qualquer prato, principalmente no de uma criança.  

Custo: Ainda bem que no Brasil, 120 gramas de papinha Nestlé é mais cara do que 120 gramas de qualquer fruta, verdura ou legume fresco.

O mercado brasileiro de papinhas

Recentemente, na fila de um supermercado, notei uma mulher bem vestida, unhas e cabelos bem feitos com o carrinho cheio de papinhas Nestlé. O meu primeiro pensamento foi tadinho desse bebê. Depois fiquei pensando o que levaria uma mãe a cometer tamanha injustiça com um pequeno ser sem escolha. Falta de amor com certeza não é, mas falta de tempo sim, ou será de informação?

Outro fato que tenho observado é que quem compra papinha no Brasil é a classe média, média alta. Mães que trabalham fora ou tem pouco tempo para se dedicar as refeições dos filhos, mas tem dinheiro. Já que ninguém gastaria R$3,90 por 120g de papinha de maçã, se com o mesmo valor compra-se o quilo de maçãs fresquinhas. A impressão que se tem é de que consumir papinha Nestlé é símbolo de status.

Nos EUA, e a cultura da conveniência faz com que 58% dos pais alimentem os filhos exclusivamente com papinhas processadas, segundo uma pesquisa da revista “Parents” realizada em 2008. E esse consumo está destinado às classes de baixa renda, sendo que os potinhos também são distribuídos gratuitamente pelo governo através dos “food stamps”. O potinho lá custa cerca de R$1,00 (U$0,60) enquanto o quilo de maçã R$6,70 (U$3,99). Infelizmente, essa inversão de valores é irreparável quando se fala em saúde. Os EUA vivem uma “epidemia” de obesidade e diabetes infantil alarmante. E é só ir ligando os potinhos para se chegar ai. Já a classe alta e mais bem informada opta por alimentos orgânicos e in natura.

Ainda bem que o consumo de papinhas processadas no Brasil ainda está longe de chegar aos níveis de outros países. A média aqui é de 12 potes até os 12 meses de idade, mas infelizmente esse número vem aumentando. Nos EUA são de 600 potes e na Europa são de 240.

O fim da picada é que os analistas de mercado consideram esse fato como um dado de país subdesenvolvido (sem grana para consumir). Eu analiso como riqueza de bom senso e de frutas e verduras frescas. E nesse quesito o nosso governo tem feito um bom trabalho. Em 2007, baniu a propaganda de papinhas processadas na TV. E procura incentivar o aleitamento materno até os 2 anos de idade. O site da Nestlé diz 6 meses bem grandão na sua homepage e ai pequenininho no cantinho diz que o governo incentiva o aleitamento materno até os 6 meses ou mais. Para uma empresa como a Nestlé esse “mais” é algo muito perigoso para os lucros da empresa.  

Aliás, em um relatório sobre a alimentação dos bebês no Brasil entre 2010 e 2011, feito pela “Euromonitor International”, uma empresa de análise de mercado, aponta esses dois fatores como empecilhos ao crescimento do mercado interno e algo a ser combatido. Será mesmo que essas empresas querem o melhor para a sua família?

Ufa, espero ter te convencido. Para as mamães espertas que não precisavam de convencimento, já que o instinto fala mais alto, espero ter fornecido alguns bons argumentos para não cair na cilada das propagandas fresquinhas e no ponto.
Vou continuar repetindo, “in natura” e sempre melhor para você e para o seu bebê. 

A recompensa é que filho nenhum esquece a comida da mamãe. Portanto, se você quiser ser inesquecível, trate de deixar os potinhos de comida pronta, tão conveniente, nas prateleiras dos supermercados.  

Observação: Segundo uma pesquisa do IBGE, 40% dos brasileiros estão acima do peso e 10% são obesos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), 15% das crianças no Brasil são obesas. Essas estatísticas assustam e são o reflexo dos hábitos alimentares da nossa sociedade que vem se alterando drasticamente com o aumento do consumo de processados e do “fast food”.

Alguns ingredientes da papinhas Nestlé (120 gramas):

Manga com pêra: MANGA, ÁGUA, PÊRA, MAÇÃ, MAMÃO, AMIDO, FARINHA DE ARROZ, VITAMINA C E ACIDULANTE ÁCIDO CÍTRICO. NÃO CONTÉM GLÚTEN.

Banana com aveia: ÁGUA, BANANA, SUCO DE MAÇÃ, FARINHA DE AVEIA, AMIDO, VITAMINA C E ACIDULANTE ÁCIDO CÍTRICO. CONTÉM GLÚTEN

Strogonofinho com arroz: ÁGUA, BATATA, LEITE EM PÓ, POLPA DE TOMATE, CEBOLA, CARNE, ARROZ, AMIDO, FARINHA DE ARROZ, ÓLEO DE CANOLA, SAL COM TEOR REDUZIDO DE SÓDIO, ÓLEO DE MILHO, ALHO E LACTATO FERROSO. NÃO CONTÉM GLÚTEN.

Frango com legumes: BATATA, PEITO DE FRANGO, CENOURA, ÁGUA, FRANGO, POLPA DE ABÓBORA, CEBOLA, CHUCHU, AMIDO, ÓLEO DE CANOLA, ÓLEO DE MILHO, FARINHA DE ARROZ, SAL E ANTIOXIDANTE ÁCIDO ASCÓRBICO. NÃO CONTÉM GLÚTEN.

Fontes: