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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Vamos tirar o planeta do sufoco

Iupiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!! Vocês não imaginam como eu estou feliz com a nova medida do Governo do Estado de São Paulo e da APAS (Associação Paulista de Supermercados) de abolir o uso de sacolas plásticas a partir de hoje, dia 25 de janeiro de 2012. Para mim essa é uma notícia que deve ser comemorada com grande estilo, acho que vou correr no supermercado, comprar uma “champagne” e sair com ela na mão.
Eu me lembro quando eu era adolescente e li em uma revista que na Nova Zelândia não eram distribuídas sacolas plásticas nos supermercados, você tinha que levar a sua própria. Achei a info muito legal e aquilo sempre ficou comigo. Na época, eu ainda não tinha a dimensão dos fatos, o tamanho do estrago ambiental decorrente do uso do plástico. Acho que nem sabia que era feito de petróleo. Só me lembro de achar a medida correta, puro instinto. Só anos mais tarde é que a ficha caiu completamente e eu deliberadamente passei a recusar sacolas plásticas ou qualquer embalagem ou utensílio desnecessário como canudinhos, talheres descartáveis, copos plásticos e afins.
Eu sei que já tem muita gente fazendo cara feia contra essa medida, é difícil fazer as pessoas saírem da zona de conforto que elas criam em torno de si, mudar os hábitos. Esses são alguns argumentos que eu escuto contra e é assim que eu os retrucaria:
- Eu uso as sacolinhas no lixinho da cozinha e do banheiro e agora eu vou ter que comprar...
Eu também uso uma única sacolinha no lixo da cozinha por dia e é nela que eu coloco o lixo para fora. Mas eu reciclo absolutamente tudo, tenho um lixão onde eu coloco latas, vidros, plásticos, papel e semanalmente eu levo o lixo separado para um centro de reciclagem. Eu também tenho um vaso grande de barro com terra no meu quintal que eu jogo sementes e cascas de frutas e verduras e uso a terra para fazer novas mudas e adubar minhas plantas. Quer dizer, no final do dia eu junto o lixo do banheiro, que fica sem saquinho, com o da cozinha e pronto. Os meus saquinhos vêm de destinos aleatórios, só sei que nunca fiquei sem. Ou é alguém que me traz alguma coisa e sempre vem em um saco, ou eu pego voando na rua (vocês já repararam na quantidade de sacolinhas voadoras por ai?), uma loja vizinha joga tanto saquinho de roupa no lixo que eu sempre pego para dar um segundo uso etc. Também uso o saco do arroz, já usei os do pacote de fraldas. O que eu quero dizer é que saquinho não vai faltar se você tiver a atitude correta. Dá trabalho sim. Mas é o tipo de atitude que também gera satisfação. Mesmo porque, quem estava habituado a pegar todos os saquinhos que te empurravam em uma compra de supermercado deve ter saco acumulado para uns 2 anos de lixinho e se não acumulou, fez errado e os jogou no lixo, e é exatamente esse tipo de desperdício que queremos evitar.  Se reinvente.
- Eu sempre esqueço minhas sacolas retornáveis em casa...
Então passe a não esquecer, poxa! Você esquece sua carteira, seu celular? Quando levar suas sacolas se tornar um hábito você não vai ser pega de surpresa. Eu deixo umas duas no carro e sempre tenho uma molinha na bolsa. E se por algum motivo não tenho nenhuma, uso uma caixa de papelão e se a compra é pouca saio com tudo na mão mesmo, sem vergonha nenhuma. Você precisa do saquinho mini que te entregam na farmácia? E o saquinho para colocar o saco do pão?
- O presidente da associação dos fabricantes de plásticos de São Paulo disse que a medida vai fazer com que mais de 30 mil pessoas percam o emprego...
Arranja outro. E fácil falar quando não é com você, certo?! Mas eu acredito que um mundo sustentável pode gerar milhares de empregos muito mais dignos. Plástico mata, a gente aos poucos, através da contaminação da água e do solo, mas a morte de animais por estrangulamento e sufocamento é constante, pode ter certeza que nesse minuto uma tartaruga marinha, um pingüim ou um pássaro está sendo vítima de um objeto plástico. Isso para não citar as guerras feitas em nome do petróleo, matéria-prima do plástico. Tem gente que também não quer que as guerras acabem porque elas geram milhares de empregos, go figure...
Cansei de argumentar, para mim essa notícia veio para o melhor. Jundiaí que já havia adotado a medida há um ano, deixou de colocar quase mil toneladas de sacolinhas plásticas no meio ambiente nesse período. Imaginem todas as cidades paulistas nessa onda... Espero que a moda se espalhe para o Brasil e para o mundo todo.
Mas eu também acho que só essa medida não vai resolver o problema, a dimensão dos estragos já são enormes (leia: MHCMC x Claudia e Fatos que devemos saber sobre o mundo hoje). Não adianta abolir as sacolinhas plásticas, se cada vez mais vem aumentando o uso indiscriminado dos pratinhos de isopor, dos copos plásticos, dos canudinhos. A redução tem que ser geral.

De qualquer maneira hoje é um dia especial, um dia para entrar para a história, o dia em que cada um de nos decidiu viver a vida de maneira mais simples e mais sustentável e para isso não é preciso mudar apenas os hábitos, mas é preciso mudar de coração.

Para mais informações: http://vamostiraroplanetadosufoco.org.br/home/
Se você gostou desse post, você também vai gostar: http://mhcmc.blogspot.com/2011/09/as-sacolas-da-minha-vida.html

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

As sacolas da minha vida

Sou sacoleira mesmo, com o maior orgulho. Tudo começou com a minha mania por organização. Morando em New York, onde tudo acaba em saco plástico, um belo dia resolvi dar um basta no meu puxa-saco que já não cabia saco nenhum. Na hora de jogar tudo aquilo no lixo, me deu um aperto no coração. Era muito lixo desnecessário... tinha saquinho de tudo quanto é tamanho, cor, espessura e logotipo. Muitos nunca teriam nenhuma finalidade. Separei por tamanho. Os que tinham número 2 (os únicos recicláveis) foram para o lixo reciclável. Os pequenos viraram porta lanchinho. E os que não podiam reciclar foram enfiados na minha bolsa para serem reutilizados na próxima compra de supermercado. Isso era o ano de 2003 e a onda de sacolas retornáveis ainda não tinha virado moda. Com essa atitude o mundo do lixo tomou uma nova dimensão. Passei a valorizar pouca embalagem e mais conteúdo.
     Anualmente, 500 bilhões de sacos plásticos são consumidos no mundo. Desse número uma quantidade infima é reciclada, menos de 3%*. Isso tudo começou há menos de 30 anos atrás e o impacto ambiental desse estilo de vida descartável já atingiu proporções catastróficas. É lógico que a sacola plástica não é a única vilã da história, todos os derivados de plástico são altamente poluentes e devem ser evitados. Entretanto, essa é uma atitude simples. Estima-se que uma única sacola retornável faz com uma pessoa deixe de consumir 400 sacos plásticos por ano. A partir de agora, sair da padaria com o saco de pão enfiado em outro saquinho vai ser de extremo mau gosto e aceitar aquele micro saquinho de farmácia, o cúmulo, ok!?

    E com vocês, as minhas queridas sacolas...

     Ela mora na minha bolsa. Comprei na H&M em New York em 2010, custou 3 doletas. Prestes a voltar ao Brasil tive que abastecer meus pequenos com algumas poucas e boas roupinhas novas, e nada melhor que esse grande magazine sueco, não tem como resistir. Mas na hora de pagar e pegar aquele sacolão plástico tive que recusar, minha aversão as sacolas plásticas chegou a um bom limite. Estava estufando tudo na bolsa, quando o caixa sugiriu uma das "reusable bags" - na verdade eu havia esquecido a sacola abaixo em casa - e resolvi aceitar a oferta, ainda bem. Eu amo ela de paixão, quebra o maior galho, apesar de não ser muito grande. Ela é de nylon e fica bem pequeninha. Todo mundo divia ter uma.   

     Essa foi a primeira sacola a residir na minha bolsa em 2007. Ela é tudo de bom: grande, molinha, preta e super resistente. O melhor brinde que já ganhei. Veio em uma revista Elle portuguesa, que eu comprei em uma estação de trem na cidade do Porto, em Portugal. Eu não comprei a revista e ganhei a sacola, comprei a revista por causa da sacola. Estava carregando travesseiro, boneca, casaco e mais alguns trequinhos da minha filha e a salvação apareceu como um passe de mágica, ufa! Uma vez tomei um baita susto achando que a tinha perdido. Apesar de ter sido substituída pela floral, ela está sempre a mão. Quando eu saiu sabendo que vou comprar algo ela vai junto. Boutique, sapataria, papelaria, na hora H eu saco a  minha "master black bag", que é um cult.

     Muitas de vocês devem ter uma igual a essa. É a sacola retornável do Pão de Açucar. Ganhei da minha cunhada. Ela deu uma para cada mulher da família no final de 2008. Achei um presente excelente, de grande utilidade. É feita de rafia, é super resistente e cabe um montão de coisas, mas como é durona tem que ficar no porta malas do carro para as compras de supermercado. No entanto a minha já fez de tudo: mudança, bolsa de praia, transporte de reciclados, armazenamento de livros, mala de viagem...

          Adoro essa sacola, dá para imaginar o porquê. Peguei emprestada da minha sogra e nunca mais devolvi, ups! É minha desde 2008 e é sempre um hit. Uso sempre que estou a fim de fazer campanha ou "make a statement". Feita de brim cru, é grande e resistente, o único porém é que vive sujinha, mas eu não estou nem ai.

     Essa eu ganhei da minha sogra. É gigante e capaz de carregar sozinha uma grande compra de supermercado. Feita de plástico reciclado e vive no meu porta malas desde 2009. Dia de "Rancho Orgânico" é com ela que eu vou.    

     Ganhei de Natal em 2008 do irmão do meu marido. Acho que depois do "furto", a minha sogra deu a deixa: "Ela adora sacolas". Ele comprou na lojinha de souvenirs da RISD (Rhode Island School of Design), uma das universidades de design e arquitetura mais conceituadas do mundo, onde ele se formou. Então quando eu quero dar uma de bacana, eu finjo que é comigo e uso ela. Gigante, de lona, também tem mil e uma utilizades.   

     Acertou, também ganhei da minha sogra. Já deu pra perceber que quem realmente curte uma sacola retornável é ela, tem várias. Ela diz que sempre tem que comprar uma nova quando esquece as outras em casa. Ai ela vai distribuindo, essa faz parte desse time. Falei que ela tinha que deixar sempre no carro. Agora ela usa e deixa pendurada no hall da casa, na hora de sair não tem como esquecer.